Coca na Cabeça!

Foram anunciados ontem, dia 30, os resultados do primeiro Prêmio Top of Mind Internet, criado com o objetivo de premiar as marcas mais lembradas pelos usuários da web.
O levantamento foi feito nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre. A margem de erro, para o total da amostra, é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A vitória mais significativa foi da Coca-Cola, na categoria refrigerante. Ela foi a primeira marca na lembrança de 64% dos entrevistados. Guaraná Antártica e Pepsi apareceram na seqüência com 6% e 2%, respectivamente. A categoria banco registrou um empate entre Itaú (27%) e Bradesco (25%), que deixaram o Banco do Brasil, líder histórico do Top of Mind tradicional, em terceiro (20%).
Outra categoria que apresentou mudanças em relação ao levantamento geral é o de aparelho de telefone celular. Na web a Motorola é a líder com 29%, seguida pela Nokia (23%), posição que se inverte no Top of Mind tradicional. Já a Volkswagen, que lidera no segmento no levantamento geral, divide a liderança na web com a Fiat (19% contra 18%).

Confira os vencedores de cada categoria:

Aparelho de DVD: LG
Aparelho de TV: LG
Computador e assessórios de internet: LG
Aparelho de telefone celular: Motorola
Banco: Itaú e Bradesco
Câmera digital: Sony
Carro: Volkswagen e Fiat
Cartão de crédito: Visa
Cerveja: Skol
Empresa aérea: Gol
Farmácia: Ultrafarma
Geladeira: Brastemp
Lanchonete: McDonald’s
Lingerie: De Millus
Loja online: Submarino e Americanas
Material esportivo: Nike
Operadora de telefone celular: Vivo
Operadora de TV paga: Net
Produtos de beleza: Natura
Refrigerante: Coca-Cola
Serviço público: Receita Federal

Será que estamos mudando nossas cabeças por causa da web?? Certamente que sim! E a pesquisa é prova disso. Quem sabe esse público antecipe tendências?
As empresas terão que tomar cuidado para não serem esquecidas no meio internet. Com as novas edições da pesquisa poderemos analisar qual a velocidade e a dinâmica das mudanças na web.
Para uma precisão de Top of Mind geral, o importante é estar bem relacionado nos dois meios.

Jornalismo x Merchandising

 

A discussão em torno das mesas-redondas sobre o dever de um jornalista, é algo que parece não ter fim. É possível praticar jornalismo, independente da qualidade, exercendo simultaneamente a função de garoto-propaganda? É possível entrevistar um cartola e ao mesmo tempo vender uma lâmina de barbear? Como noticiar que um determinado empresário foi preso por estelionato se minutos antes o jornalista deu um testemunho, no ar, a respeito das qualidades dos produtos da empresa que pertence ao acusado?

Depois de quatro anos, Juca Kfouri deixou o Bola na Rede, da RedeTV!, por se recusar a fazer anúncios testemunhais e merchandising durante o seu programa. Foi imediatamente substituído por Roberto Avallone, recém-demitido da TV Gazeta, onde apresentava o programa Mesa Redonda. Avallone é famoso, entre outros, pelo desprendimento em falar de sapatos, amortecedores, pregos, parafusos e cerveja em meio aos gols da rodada.

Avallone foi substituído no Mesa Redonda por Flávio Prado, que comandou o Cartão Verde, na TV Cultura. Prado, um jornalista conhecido pelo comedimento com que falava de produtos comerciais na televisão, se dispôs a abraçar o merchandising por não ver outra opção no horizonte.

Já o jornalista Milton Neves é hoje, do ponto de vista comercial, o mais bem-sucedido jornalista esportivo brasileiro. Além do programa Terceiro Tempo na Record, ele também é contratado da Rádio Jovem Pan. E ainda, é dono de uma agência de publicidade, chamada Terceiro Tempo. Milton Neves, já é conhecido com “Merchand Neves” por tantos comerciais feitos entres frases e apresentações durante o programa.

A confusão entre jornalismo e publicidade atingiu tal ponto nos programas esportivos que a MTV brasileira criou uma atração destinada a parodiar a situação. Rock & Gol, apresentado por Paulo Bonfá e Marco Bianchi, ri dos trejeitos dos “apresentadores-camelôs” e da própria noção de merchandising.

A visão oposta a essa é a da separação clara entre o que é jornalismo e o que é publicidade. É a posição que, além de Juca Kfouri, adotam publicamente figuras como Armando Nogueira, Jorge Kajuru e José Trajano.

Trajano teme que os jornalistas que se posicionam contra o merchandising e contra a postura de Milton Neves e companhia estejam ficando em minoria. E faz um alerta com o qual se pretende encerrar esse capítulo da história: “Eu tenho medo de que isso se alastre cada vez mais e que as novas gerações achem normal, já saiam da faculdade tendo como referência esse tipo de coisa.”

Também é a posição que defende o ex-jogador, médico e hoje analista de futebol Tostão, colunista da Folha de S.Paulo, e Heródoto Barbeiro, respeitado jornalista da Rádio CBN.

Vale registrar que, no mundo do rádio, a confusão entre jornalismo e publicidade parece ainda maior do que na televisão. E não apenas no segmento do jornalismo esportivo. Jornalistas de outras áreas também fazem testemunhal, publicidade, e falam o slogan do patrocinador. Há até casos em que os âncoras vendem publicidade e a manutenção do programa no ar depende da venda de anúncios para o horário.

Um caso peculiar nessa disputa é o da Rede Globo. A emissora tem adotado posições ambivalentes sobre o assunto. Na questão do merchandising em programas jornalísticos ou praticado por jornalistas, a política é clara. “É norma da casa. Não pode participar”, diz Luís Erlanger, diretor de Central Globo de Comunicação.

Porém, há exceções à regra. Galvão Bueno e Arnaldo Cezar Coelho já fizeram merchandising explícito para um restaurante, em São Paulo, durante o programa Bem Amigos, no canal pago SporTV, da Globo.

Como vemos, está cada vez mais difícil, no sentido financeiro, não conciliar jornalismo esportivo com a propaganda. Todos querem (e precisam) ganhar um trocado a mais. No país que vivemos, é impossível não pensar no dinheiro (infelizmente). O importante é ter bom senso, e analisar onde cabe, ou não uma inserção publicitária. Em programas esportivos, com debates, já virou tradição. E é um importante canal para as empresas anunciantes. O medo está nos telejornais. Realmente seria estranhíssimo ver o William Bonner fazendo um anúncio de ternos executivos.

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL , Sudeste , Homem , de 20 a 25 anos

 
Visitante número: